Parque Nacional do Itatiaia, o teto da Dutra

Parque Nacional do Itatiaia, o teto da Dutra

Quando era criança, Sidnei da Fonseca costumava sair de Fragária, um distrito de Itamonte (MG), e pedalar 33 km até o portão do Parque Nacional do Itatiaia. “Ficava olhando, imaginando o que havia ali dentro; depois voltava para casa”, conta.  Hoje, Sidnei tem 36 anos. E há 13 anos é funcionário do parque. Trabalha como brigadista. Não foram poucas as vezes em que ele ajudou a debelar incêndios e resgatar turistas. 

“Eu amo esse lugar. A paixão da minha vida é estar aqui. Gosto de verdade”, afirma Sidnei, correndo os olhos na paisagem.  

Criado em 1937, o Parque Nacional do Itatiaia é o mais antigo do Brasil e inaugurou um modelo de preservação ambiental. Fica no Sul fluminense, na altura do Km 307 da Dutra, que é sua principal via de acesso. A área do parque se estende por quatro municípios: Itatiaia e Resende, no Rio de Janeiro (perto da divisa com São Paulo), e Itamonte e Bocaina de Minas, em Minas Gerais. O parque está dividido entre a parte baixa e a alta – sua altitude varia de 600 metros na base a 2.791 metros, no Pico das Agulhas Negras, que é o mais alto do estado do Rio e o quinto em altitude do Brasil. 

A parte baixa do parque, mais popular, concentra uma farta amostra da vegetação da Mata Atlântica e muitas cachoeiras, como a Maromba, a Itaporani e a Véu de Noiva. Devido à facilidade de deslocamento e ao acesso muito próximo à Dutra, a área é muito frequentada por famílias, que passam o dia. Vale conhecer o Museu de Fauna e Flora, no Centro de Visitantes Wanderbilt Duarte de Barros, com biblioteca e uma grande coleção de insetos e animais empalhados. 

Já a parte alta é para aventureiros mais preparados. A paisagem, marcada por campos de altitude, encostas íngremes e muitas pedras, é bem diferente da parte baixa e exige algum esforço nas caminhadas. É ali que ficam o maciço das Agulhas Negras e as chamadas “prateleiras” – verdadeiros cartões postais do lugar. O local é ideal para trekking. É um roteiro cheio de opções: travessias, caminhadas, escaladas. 

Parceria 

Segundo o diretor do Parque, Luiz Aragão, a média anual de visitas varia entre 120 mil e 130 mil pessoas, antes da pandemia do novo coronavírus ter reduzido as visitas. Desde fevereiro de 2019, o parque está sob administração da empresa BR Parques. A concessão faz parte do projeto de parcerias público-privadas (as PPP), aprovado em 2017. 

A BR Parques cuida da parte de uso público, mas a fiscalização, monitoramento e pesquisa científica continua sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes – ICMBio. “A ICMbio tem os olhos de gestor, da conservação, mas também queremos que o usuário tenha uma boa experiência aqui dentro”, diz Aragão. 

Para o diretor do parque, que assumiu o cargo em maio de 2020, a Dutra tem importância fundamental para o PNI. “O parque está cravado no meio dos três estados cujas capitais estão entre as mais populosas do país. É essencial ter uma logística, uma via de acesso. Alguns parques do Brasil exigem que você pegue barco, avião e faça caminhada de cinco dias. Aqui você tem a Dutra, pista dupla, e pedágio que não é caro.”

“Sabendo que existe uma área natural como essa aqui, maravilhosa, com ecossistemas diferenciados, para visitar, a Dutra passando aqui, facilita muito”, completa.