Pamonha, pamonha, pamonha!

Pamonha, pamonha, pamonha!

Em seu Dicionário de Palavras Brasileiras de Origem Indígena, Clóvis Chiaradia conceitua a pamonha como vinda do Tupi Guarani “apá-mimõia”, que significa envolvido e cozido. Na descrição conta como um “bolo de milho verde, leite de coco, manteiga, canela, erva-doce, açúcar cozido nas folhas do próprio milho”. 

Há um consenso sobre etimologia e receita da iguaria, mas a origem da pamonha não parece pacificada. Paulistas, mineiros e baianos, entre outros, reivindicam sua criação. Mas, se há dúvidas sobre a procedência, pelo menos há uma certeza: o Rancho da Pamonha é o lugar onde a iguaria encontrou sua casa, na margem da via Dutra.

O primeiro Rancho da Pamonha foi inaugurado em 18 de outubro de 1966 no KM 196 da Dutra, no município de Arujá. Começou como cabana modesta, que também servia de lar para a família Mendonça. Fez sucesso. Em determinado momento, chegou a ter oito filiais. Hoje são quatro ranchos, três deles na Dutra.

A “cabeça” do empreendimento é Antônio Carlos Mendonça, o Toninho da Pamonha. Sua popularidade por causa da pamonha era tão grande que ele se elegeu prefeito de Arujá e, depois, de Itaquaquecetuba. Hoje, Toninho não quer mais saber de política. Cuida do Rancho da rodovia Raposo Tavares. As três casas da Dutra são comandadas por seus irmãos. 

A unidade localizada no KM 189, em Santa Isabel, é gerenciada por Edna Mendonça. Caçula dos irmãos, ela tinha 11 anos quando a família se mudou de Araras, cidade paulista na região de Campinas, para Arujá. A família nunca tinha lidado com milho, muito menos com pamonha.

Com a benção da Padroeira 

Edna lembra que, no início, seus irmãos Antônio Carlos e José Cláudio iam vender pamonhas em Aparecida. “Eles tinham uma kombi velha, iam com trezentas pamonhas e voltavam com o carro vazio”. Segundo ela, as decisões eram todas de Toninho, mas o trabalho era coletivo. “Quem fazia as pamonhas eram meus irmãos. A gente tinha que tirar, dobrar e costurar a palha.” 

Quando o Rancho foi inaugurado, além da pamonha, foram acrescentados novos produtos: curau, cuscuz, milho cozido e caldo de cana. 

Com o passar dos anos, não só o Rancho se expandiu, mas a família Mendonça também cresceu. Hoje há filhos e netos ajudando a cuidar do negócio. Os filhos de Edna, Fábio e Camila, cuidam do Restaurante O Caipira, no KM 207 da Dutra, onde também está uma das filiais do rancho. O braço direito de Edna no KM 189 é Vera Lúcia, seis anos mais velha que ela. Elas são responsáveis pelo atendimento das 700 pessoas que param por ali a cada dia (média com picos aos sábados e domingos, antes da pandemia).

Clientela fiel e novos tempos  

Entre as essas centenas de consumidores, há clientes fiéis, a quem Edna se refere com carinho. “O seu Geraldo é um cliente que para aqui pelo menos uma vez por mês há 45 anos. Ele tem quase 90 anos e conheço os filhos dele desde quando eram pequenos e frequentavam o Rancho do KM 196. Tem também o seu Mario, que hoje está com 94 anos. Era guarda rodoviário e me dava carona quando eu estudava em Arujá.” 

Ao longo dos 54 anos de existência do Rancho, Edna presenciou as várias fases da Dutra. “Teve uma época que a Dutra não tinha ninguém administrando e era muito esburacada. Estava abandonada, matagal para todo o lado. Quando a NovaDutra começou a administrar, foi um alívio para todos os comerciantes da rodovia. Desde então nunca mais tivemos dificuldades”, conta.