Obra-prima de Burle Marx aos pés da Bocaina

Obra-prima de Burle Marx aos pés da Bocaina

Não é só à beira da estrada que estão as atrações da Dutra. Ela também serve de acesso para outros caminhos e agradáveis surpresas. Uma delas é a rodovia dos Tropeiros, que atravessa a Serra da Bocaina e passa por cidades do Vale Histórico, como Areias, São José do Barreiro e Bananal. 

O acesso ao vale pela Dutra pode ser feito em quatro pontos: no trevo de Cruzeiro, por Cachoeira Paulista, Queluz ou Barra Mansa. Na rodovia dos Tropeiros fica a Fazenda Vargem Grande, uma joia do paisagismo que preserva um dos mais belos jardins projetados por Roberto Burle Marx. 

A fazenda, fundada em 1837, foi comprada em 1973 por Clemente Fagundes Gomes, um dos antigos donos da Tecelagem Parahyba, de São José dos Campos. Além de engenheiro, Gomes era um artista obsessivo por detalhes e colecionador apaixonado de peças artesanais adquiridas Brasil afora.

Seu detalhismo esteve presente na restauração da Vargem Grande, feita a partir de fotografias e croquis antigos. Para o trabalho, Gomes recrutou a equipe de artesãos, serralheiros, pedreiros e marceneiros de sua empresa. Ao desenho da construção original foi incorporada uma nova ala, com cozinha, banheiros e dependência de serviço.

Jardins sonoro

O ponto alto da fazenda é seu jardim, obra-prima de paisagismo com 9 mil m2, assinada por Burle Marx. O jardim é dividido em três níveis (aproveitando os antigos terreiros de café), com cinco espelhos d’água, esculturas de pedra, 19 quedas d’água e duas piscinas. Um sofisticado sistema de irrigação alimenta o jardim por canais desviados de um antigo lavador de café. A água corrente das piscinas é natural e vem diretamente de outra nascente.

 “A ideia do Burle Marx era homenagear as águas da Bocaina. É um jardim sonoro: da casa inteira se ouve as águas”, informa a administradora da fazenda, Elenice Piemontez. 

Burle Marx e o dono da Vargem Grande se conheceram nos anos 1950, durante a construção da residência Olivo Gomes, pai de Clemente, em São José dos Campos, que hoje é o Parque da Cidade. A elaboração do sofisticado jardim levou dez anos. São mais de 60 espécies de plantas exóticas e nativas, adaptadas para harmonizar cores e volumes. 

Dança de matizes

Segundo Elenice, o jardim foi elaborado de uma maneira que cada época do ano tivesse um matizado de cores. “No inverno ‘explodem’ as flores vermelhas e no verão, são as amarelas.”

Os espécimes foram trazidos por Burle Marx de diversas expedições que fez pelo Brasil. Entre elas estão bromélias, vitórias-régias, cacaueiros, capim-dos-pampas, canela-de-ema, papiro, cana da índia, pândalos e as raríssimas (em solo brasileiro) árvores sol da Bolívia e Bombax malabaricum.

Ao fundo do jardim, a mata atlântica cria uma harmônica moldura – prova de como Burle Marx conseguia conciliar suas criações com a natureza do entorno. No jardim, há também as piscinas, uma para adultos e outra para crianças – ambas sem azulejo no revestimento. “Elas são alimentadas com água da mata para que a pessoa tenha a sensação de que está tomando banho de rio”, explica Elenice.

Ponto turístico  

A Vargem Grande está aberta à visitação. “Temos a visita técnica, para paisagistas e arquitetos, quando vem um especialista para recebê-los, e temos um passeio para os alunos de escola, que vêm para passar o dia. Para esses disponibilizamos material de estudo, como folhetos e croquis”, diz Elenice.

Já a visitação turística está dividida em day use, com direito a banho de piscina, passeio até a cachoeira dentro da propriedade, almoço e chá da tarde (R$ 150,00 por pessoa*); ou visita com almoço (R$ 90,00 por pessoa*). Apesar de não ser uma pousada ou hotel-fazenda, há quatro quartos para hospedagem para quem quiser passar mais tempo contemplando o fabuloso jardim.

Informações pelo e-mail [email protected].

* Preços de julho de 2020.