O rugby, o esporte da Dutra, se sente à vontade em Jacareí

O rugby, o esporte da Dutra, se sente à vontade em Jacareí

Se o rugby tivesse uma estrada oficial, essa estrada seria a via Dutra. Seis times se espalham pela rodovia, em diferentes cidades lindeiras: o Lusa Rhynos Rugby, de Guarulhos; o Taubaté Rugby; o São José Rugby Clube, de São José dos Campos; o Resende Rugby Clube; o Volta Redonda Rugby Clube, e a Associação Esportiva Jacareí Rugby – esta, que tem a CCR NovaDutra como um dos patrocinadores, é um dos maiores vencedores da modalidade no país, com títulos nacionais a forma a base da seleção brasileira da modalidade.

O rugby chegou ao Brasil no final do século 19, junto com o futebol. O primeiro time, aliás, foi organizado em 1895 pelo mesmo Charles Miller que é considerado o pai do esporte praticado com os pés. Entretanto, como se sabe, o rugby não alcançou a mesma popularidade de seu irmão. Levou anos para que passasse a chamar a atenção das novas gerações. 

Nos últimos anos, com a transmissão de campeonatos pela TV e uma certa desilusão das novas gerações com o futebol brasileiro (obrigado, 7x1) o rugby começou a atrair tanto garotos quanto garotas. Um bom exemplo da crescente popularidade é o Jacareí Rugby. 

Fundada em 1653, a cidade de Jacareí é uma das cidades mais antigas do país. Fica a 82 km da capital paulista e sua população, segundo o IBGE, é de 233.662 habitantes. O rugby chegou ali em 2003, trazido pelos alunos da Universidade do Vale do Paraíba, com apoio dos jogadores da vizinha São José dos Campos.

Hoje o clube tem mais de 500 atletas distribuídos em 11 categorias – do M8 ao M19. São 33 troféus conquistados em 17 anos de existência, sem contar os prêmios individuais para seus atletas.

Formando cidadãos 

Mas um dos aspectos que mais chama a atenção no Jacareí Rugby é o seu trabalho social. “A Associação sempre teve como meta principal formar não apenas atletas, mas também cidadãos conscientes de suas responsabilidades e deveres perante a comunidade, colocando em prática os valores sociais presentes no rugby”, declara o clube na apresentação de sua página na internet. 

E o que mais chama a atenção ao visitar o clube é o entusiasmo e alegria dos envolvidos – as risadas e brincadeiras são a tônica, em um clima que normalmente se vê entre irmãos. E é assim que eles se sentem. “Um dos nossos valores é a família que formamos aqui”, diz Arthur Mota, o Tutu, treinador das categorias M16/M14 (juvenil). Todos os atletas com quem conversamos destacaram esse aspecto familiar do clube.

“Na primeira página do nosso livro de regras, elencamos os cinco valores do rugby, que chamamos de “DRIPS”: disciplina, respeito, integridade, paixão e solidariedade. Temos o viés social muito forte, que é um valor do clube e da nossa comunidade”, explica Tutu, Entre essas ações está a distribuição de alimentos e os treinos promovidos em bairros afastados sem acesso a esporte ou lazer.

“O rugby nasceu como um esporte elitista, mas hoje é uma oportunidade para os jovens numa condição de vulnerabilidade. Hoje, nosso objetivo é ir para a periferia da cidade para que todos tenham acesso; meninos e meninas”, completa o coordenador técnico Júlio César Faria. Segundo ele, atualmente existem três clubes no Brasil com estrutura de formação sólida, e um deles é o Jacareí. 

O reconhecimento por todo esse trabalho veio em 2011, quando a Câmara Municipal de Jacareí lhe agraciou com o título de Utilidade Pública. 

Valores comuns

Apesar de todas as atividades do clube serem gratuitas, o Jacareí não tem uma sede e o espaço onde acontecem os jogos é alugado – o campo usado é de futebol.

Faria ressalta que o apoio da NovaDutra e do Instituto CCR foi fundamental para solidificar o trabalho social do Jacareí Rugby. Para Cristine Naum, gestora do Instituto CCR e de Sustentabilidade do Grupo CCR, o incentivo ocorreu devido a convergência de valores entre as duas entidades. “Os pilares de atuação do Instituto CCR são saúde, educação e inclusão social. Deste modo, o Instituto CCR avalia constantemente as possibilidades de apoio a iniciativas alinhadas a esses propósitos, que agregam valor para as comunidades que ficam nas áreas de abrangência das concessionárias do Grupo CCR”, afirma.

Sem discriminação 

E qual o futuro do rugby no Brasil? “O rugby está crescendo no país”, avalia Faria. Uma das razões, segundo ele, é o grande diferencial é a capacidade do esporte de trabalhar num mesmo ambiente crianças de ambos os sexos, sem discriminação. 

“É um dos poucos esportes que contemplam essa possibilidade de mistura. Não só de meninos e meninas, mas de diferentes biotipos: magrinhos, gordinhos, mais altos, mais lentos; o jogo precisa dessas características, então acaba tendo uma variedade de biotipos que agrega aqueles que não têm espaço no futebol, no basquete e em outros esportes. Isso acaba somando no processo de desenvolvimento”, resume.

Conheça alguns dos atletas do Jacareí Rugby

Jacareí, São Paulo, Brasil 23-07-2020 Matéria sobre time de Rugby da cidade de Jacareí, SP.  Série de reportagens para Projeto Histórias da Dutra realizadas em cidades dos arredores da Rodovia Presidente Dutra - BR 116, entre Rio de Janeiro e São P

Lucas Drude Romeu

Idade: 26 anos
Posição em que joga: Oitavo
Títulos: Pelo Jacareí: Duas vezes campeão juvenil; três vezes campeão brasileiro de Sevens; campeão brasileiro de XV; duas vezes campeão da Taça Tupi. Pela seleção: Segundo lugar no sul-americano; sexto lugar no Pan-americano; terceiro lugar no campeonato da Odersur.
O que mais gosta no rugby: “É um esporte diferenciado nessa relação de valores que prega. E tem a amizade que a gente cultiva com o pessoal da equipe e de outras”.
Jacareí, São Paulo, Brasil 23-07-2020 Matéria sobre time de Rugby da cidade de Jacareí, SP.  Série de reportagens para Projeto Histórias da Dutra realizadas em cidades dos arredores da Rodovia Presidente Dutra - BR 116, entre Rio de Janeiro e São P

Julia Rodrigues da Mota

Idade: 20 anos
Posição em que joga: Half
Títulos: Campeã brasileira por quatro anos consecutivos; campeã paulista.
O que mais gosta no rugby: “As pessoas. Considero que somos uma família. Gosto da energia quando estamos em campo.”
Jacareí, São Paulo, Brasil 23-07-2020 Matéria sobre time de Rugby da cidade de Jacareí, SP.  Série de reportagens para Projeto Histórias da Dutra realizadas em cidades dos arredores da Rodovia Presidente Dutra - BR 116, entre Rio de Janeiro e São P

Eliel da Silva

Idade: 21 anos
Posição: Fullback
Títulos: Campeonato brasileiro de Sevens da temporada 2019/2020.
O que mais gosta no rugby: “A sensação antes de entrar em campo e o sentimento de pertencimento.”
Jacareí, São Paulo, Brasil 23-07-2020 Matéria sobre time de Rugby da cidade de Jacareí, SP.  Série de reportagens para Projeto Histórias da Dutra realizadas em cidades dos arredores da Rodovia Presidente Dutra - BR 116, entre Rio de Janeiro e São P

Ágata Cristina de Araújo

Idade: 19 anos
Posição: Pilar
Títulos: Campeão brasileira 2019; segundo lugar brasileiro adulto; campeã sul-americana no Chile.
O que mais gosta no rugby: “Das pessoas, porque não é um clube, mas uma família. Gosto dos treinos. E o que mais gostoso mesmo é jogar, aquele frio na barriga.”
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Renato Costa

Idade: 24 anos
Posição: Abertura
Títulos: Campeão brasileiro de Sevens; campeão paulista de Sevens; campeão brasileiro da série B com a categoria adulta; campeão paulista juvenil de Sevens; campeão paulista juvenil de XV; campeão brasileiro juvenil de XV; campeão brasileiro juvenil de Sevens.
O que mais gosta no rugby: “Os valores que o jogo me ensinou sobre fidelidade, integridade, toda a parte extracampo que me auxiliou na minha formação como pessoa.”