Nomenclatura das rodovias: como o Brasil se organiza no mapa

Nomenclatura das rodovias: como o Brasil se organiza no mapa

As rodovias no Brasil são identificadas por meio de uma sigla com letras e números. Poucas estradas têm nome e sobrenome ou apelido, como a Rodovia Presidente Dutra, conhecida como via Dutra, que na realidade é um trecho da BR-116 entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Essas siglas trazem muitas informações. Algumas intuitivas, outras nem tanto.

Inicialmente, as letras contidas nas siglas indicam se as rodovias são de responsabilidade federal, no caso das BRs, ou dos Estados. Nas rodovias estaduais, reproduzem as siglas do respectivo estado. Como a SP-348, que abrange a Rodovia dos Bandeirantes, que liga a capital São Paulo até Cordeirópolis.

Até aí, tudo bem. Mas pouca gente sabe que os números que acompanham essas letras, nas rodovias federais, seguem uma lógica que ajuda a situar a localização da rodovia no território brasileiro, tendo como referência a Capital Federal: Brasília. O modelo foi criado por lei federal na década de 60. 

Explicando: Dos três algarismos que compõem a sigla,  o primeiro número indica a categoria da rodovia: radiais, longitudinais, diagonais, transversais ou de ligação. 

Os dois algarismos finais definem a orientação da rodovia em relação à Brasília e às fronteiras do território brasileiro. 

Parece complexo. Mas é um código que ajuda a orientação espacial de quem percorre nossas estradas, ao longo desse imenso território.

Rodovias radiais

As rodovias chamadas de radial têm um traçado que parte da nossa referência rodoviária, que é Brasília, em direção às fronteiras externas do país. Elas iniciam com o algarismo zero: como, por exemplo, a BR-040, a Rio-Brasília. 

Nas rodovias radiais, os dois últimos algarismos indicam a inclinação do traçado da rodovia em relação a um eixo imaginário vertical (Norte-Sul), que passa por Brasília, seguindo o sentido horário, com intervalos de 05 a 95. 

Imaginando os ponteiros dos minutos de um relógio fixado em Brasília, a BR-020 estaria na posição correspondente a 10 minutos; a BR-040, está na posição aproximada de 20 minutos e a BR-050, na posição de meia-hora.

Rodovias Longitudinais

As rodovias chamadas longitudinais, entre elas a nossa conhecida BR-101 e BR-116, atravessam o território brasileiro de norte a sul, e são identificadas, como é possível perceber, pelo algarismo 1 no início da sigla. Os dois números seguintes indicam a posição da rodovia, tendo como 00 no limite da costa leste brasileira, com contagem crescente em direção à fronteira oeste do país. 

Com isso, conseguimos saber que a BR-101 é a rodovia que percorre o litoral e é a mais próxima da costa. Nessa contagem, Brasília, nossa referência, está localizada na posição 50. 

Ou seja, todas as rodovias a partir da BR-150 estarão localizadas a oeste da Capital Federal. Por exemplo, a BR-163, que corta o país de Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, até Santarém, no Pará.

Rodovias Transversais

As rodovias transversais cortam o Brasil na direção Leste-Oeste e têm o 2 como primeiro algarismo da sigla. 

Os demais algarismos variam de 00, e indicam que estão próximo ao extremo norte do país e o 99, no extremo sul, tendo a posição 50 passando pela Capital Federal. 

Com isso conseguimos situar as rodovias no mapa: as que tiverem a nomenclatura entre 201 e 249, estão localizadas ao norte de Brasília. Entre 250 e 299, ao su da capital federal.

Rodovias Diagonais  

Estas rodovias podem apresentar dois modos de orientação: Noroeste-Sudeste (NO-SE) ou Nordeste-Sudoeste (NE-SO). Ambas recebem o 3 como primeiro algarismos. 

Os outros dois números seguem o seguinte modelo: 

As rodovias diagonais na direção Noroeste-Sudeste (NO-SE) têm números pares, que variam, de 00, no extremo Nordeste do país,  50, em Brasília; e de 50 a 98, no extremo Sudoeste. Aqui é melhor ver no mapa abaixo:

Um exemplo é a BR-364, que liga a cidade de Limeira (SP) e percorre o interior do país até o município de Mâncio Lima, no oeste do Acre.

As rodovias diagonais na direção Nordeste-Sudoeste (NE-SO) têm numeração ímpar, sendo 01 no extremo Noroeste do país,  51, em Brasília; e de 51 a 99, no extremo Sudeste.

A BR-381 é um exemplo de rodovia diagonal NE-SO, ligando São Paulo ao Espírito Santo.

Rodovias de ligação

Para finalizar o modelo da nomenclatura das BRs existem ainda estradas federais que iniciam com o número 4 e são chamadas de rodovias de ligação. Elas podem ter o traçado em todas as direções acima, mas se caracterizam, como o nome sugere, pela ligação de duas rodovias federais ou de uma rodovia federal a uma cidade ou ainda de uma cidade até a fronteira internacional.

Esse é o caso da BR-401, entre Boa Vista (RR) até a fronteira com a Guiana, na região Norte; a BR-470, que liga Navegantes (SC) a Camaquã (RS), e a BR-488, que liga a via Dutra até o Santuário Nacional de Aparecida (SP). 

Quilometragem das rodovias

Quem viaja pelo país já percebeu que, mesmo nas rodovias federais que cruzam mais de uma unidade da federação, a cada divisa entre estados e zerada a contagem de quilômetros. Ou seja, não se acumula. Com isso, a Dutra tem contagens de quilômetros diferentes nos trechos paulistas e fluminense, o que faz que seja preciso indicar qual Estado estamos nos referindo. 

A contagem dos quilômetros de uma rodovia aumenta, em geral, no sentido de norte para o sul: o Km 200 vai estar mais ao norte do que o Km 400 de uma rodovia. 

Nas rodovias radiais, o km zero é sempre o que está mais próximo de Brasília. E nas rodovias transversais, o sentido de quilometragem cresce do leste para o oeste. Mas todas elas têm exceções. 

O atual modelo foi estabelecido no Plano Nacional de Viação, de 1964, que teve sucessivas atualizações, mas sem alteração na nomenclatura das rodovias federais. Fica a dica: não vá se perder por ai.