Big Brother da Dutra monitora a rodovia com rapidez e eficiência

Big Brother da Dutra monitora a rodovia com rapidez e eficiência

No filme Incontrolável, os atores Denzel Washington e Chris Pine são os condutores que tentam parar um trem sem freios. Durante toda a operação, eles são auxiliados por uma equipe de controladores, que mantêm intensa comunicação com os protagonistas, monitoram o trajeto, esvaziam as estações, estruturaram um plano de ação e, quando necessário, trocam o percurso da locomotiva desgovernada. 

Sem o apoio do Centro de Controle Operacional, o desastre seria certo. O filme com 1h38 de duração teria virado um curta-metragem de 15 minutos. A Dutra não tem trem, Denzel Washington ou Chris Pine, mas tem um CCO tão essencial quanto o do filme. Sem ele a rodovia seria como o título da película: incontrolável.

Diariamente, 858 mil viagens acontecem nos 402 km da Dutra. “Temos um deslocamento muito grande nas extremidades da rodovia. Estamos falando de cerca de 200 mil na extremidade do Rio de Janeiro e 300 mil veículos indo e vindo no trecho de São Paulo. O deslocamento Guarulhos-São Paulo talvez seja o maior êxodo da América do Sul”, avalia Virgílio Leocádio, gestor de Atendimento da CCR NovaDutra.

Diariamente, 858 mil viagens acontecem nos 402 km da Dutra. “Temos um deslocamento muito grande nas extremidades da rodovia. Estamos falando de cerca de 200 mil na extremidade do Rio de Janeiro e 300 mil veículos indo e vindo no trecho de São Paulo. O deslocamento Guarulhos-São Paulo talvez seja o maior êxodo da América do Sul”, avalia Virgílio Leocádio, gestor de Atendimento da CCR NovaDutra.

O intenso fluxo de veículos exige da equipe formada por 50 colaboradores do CCO um alto nível de atenção e concentração. Há, porém, momentos em que é preciso uma mobilização especial: são as megaoperações. 

Essas megaoperações envolvem o deslocamento simultâneo de muitas pessoas. Caso da Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.

O papa e a multidão 

Para Leocádio, a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, foi a ação mais desafiadora por envolver o fluxo de ônibus oriundos de diversas direções e a presença do Papa Francisco, que na ocasião visitou a Basílica de Aparecida.

 “A cidade é muito pequena e o deslocamento de pessoas para lá foi enorme. Então tivemos de fazer um planejamento, porque, à medida que o local ia enchendo, precisávamos fechar a rodovia e desviar as pessoas para outros locais”, lembra. 

Segundo o gestor, um dos pontos importantes na montagem desse tipo de operação é identificar terrenos vazios à margem da rodovia e desviar o excesso de veículos para eles, evitando que parassem no acostamento, o que poderia criar alto risco de acidentes. 

Na ocasião, o planejamento de comunicação também foi fundamental. “Tivemos uma central montada dentro da Basílica com a presença de um colaborador nosso, um colaborador da Polícia Rodoviária Federal e outro da CNBB”, lembra Leocádio. O centro de comando foi montado pelo Exército brasileiro, que esteve à frente da segurança da operação. A organização foi feita em tempo real: quando o número de pessoas chegou ao limite, a área da Basílica foi fechada. As informações de deslocamento de tráfego eram feitas através de placas, colaboradores e divulgação pela CCR FM. 

Durante a Jornada Mundial da Juventude havia outro agravante: o fluxo de ônibus oriundos de vários países da América do Sul. Leocádio recorda que era preciso conduzir esses ônibus pelas rodovias desde a entrada na divisa do país até chegar ao Rio de Janeiro. “Estamos falando de mais de mil ônibus, uma parte deles andando em grupo. Imagine um grupo de 100 ônibus pela Dutra, em fila indiana, com veículos querendo cortar para entrar num acesso.”  Ele explica que a parceria com a Polícia Federal e com os postos de barreira fiscal dos estados permitiu criar um plano para diluir o deslocamento desses ônibus, de forma que nenhum usuário percebesse que tínhamos mais de mil ônibus transitando pela rodovia.

Cenas de cinema

Tal como no esporte, para que todas essas operações tenham eficácia é preciso muito treino – ou melhor, simulação. Simular acidentes é uma rotina do Centro de Operações. Assim, as ações serão mais efetivas quando necessárias. 

Em novembro de 2019, por exemplo, houve a simulação – com o envolvimento de 3.100 pessoas – de um acidente de grandes proporções em frente a uma universidade de São José dos Campos. “A ideia era imitar o tombamento de uma carreta com produto altamente tóxico e vazamento de gás. Foi um evento digno de cinema, com vítimas maquiadas e cenário montado”, lembra Leocádio. A operação contou com a participação da Polícia Rodoviária e do Corpo de Bombeiros. Detalhe: os alunos da universidade não sabiam que se tratava de um treino.

Logística impecável 

“Em 2018 tivemos um acidente de ônibus com romeiros indo para Aparecida. Eram 38 vítimas, todas idosas. Em parceria com o RINEM (Rede Integrada de Emergências do Vale do Paraíba), conseguimos remover as 38 vítimas para o hospital em 43 minutos, um tempo recorde de atendimento”, conta Diêgo Dutra, Coordenador de Interação com o Cliente da CCR NovaDutra.

O coordenador também tem suas experiências com megaeventos. Ele comandou o CCO durante as Olimpíadas. "Ficávamos monitorando e acompanhando pelo rádio a Força Nacional de Segurança Pública para saber em que km estavam as delegações e facilitar o fluxo. Em olimpíadas, o tempo é extremamente precioso no intervalo de competições, então a logística não pode ser o problema, ela tem que ser a solução”, diz. 

“Bem servir, na nossa casa”

Dutra (nenhum parentesco com a rodovia) trabalha desde 2015 na concessionária. Sua operação mais desafiadora foi a paralisação dos caminhoneiros, em 2018. “Chegamos a ter em Jacareí talvez o maior ponto de parada da greve, mas uma coisa muito legal era como os caminhoneiros entendiam o nosso papel. Nenhuma viatura da concessionária parou”, afirma.

 Durante dez dias, Dutra e sua equipe circularam entre os caminhões, fornecendo água e dando apoio médico aos caminhoneiros com as ambulâncias do Serviço de Atendimento ao Usuário. “Eles estavam na nossa casa e precisavam estar bem servidos, porque é isso o que se espera da gente dentro do ciclo da prestação de serviço.”

No décimo dia da greve o Exército solicitou o apoio da NovaDutra para a retirada dos caminhões. Uma das preocupações era com o número de baterias descarregadas devido ao longo período de inatividade. A previsão da força militar era que a operação levaria cerca de 48 horas. Mas, dois dias antes, a equipe de Dutra já havia começado a fazer a operação de recarga das baterias. “Não tivemos nenhum problema de pane e o resultado disso é que a operação começou às 5 da manhã e às 11h não tínhamos mais nenhum caminhão parado”, conta Dutra. 

A experiência, avalia, trouxe um grande ensinamento. “É importante entender que a nossa atividade-fim é prestar serviço de qualidade. A nossa razão de existir é segurança e agilidade. Para você ter segurança precisa ter bons protocolos, bons treinamentos e uma equipe que faça bem feito. A agilidade é consequência disso”, conclui.