A melhor torta do mundo está na Dutra

A “melhor torta do mundo” está na Dutra

Quem costuma trafegar pelas rodovias do Brasil sempre escolhe uma parada obrigatória à beira da estrada. É como um ritual, onde o viajante vai reencontrar (porque, claro, é sempre um retorno) seu sanduíche, café ou doce predileto. Um dos pontos mais prestigiados da Dutra fica em Piraí, no Km 237 sentido SP/RJ. Ali está a Casa do Mamão. 

A parada, que reúne restaurante e posto de serviço, ganhou projeção nacional devido a uma saborosa iguaria: a torta trufa de macadâmia e chocolate. Bem, para os íntimos é conhecida como “a melhor torta do mundo”. Se você não foi fisgado pelo apelido, segue uma breve descrição física, que consta no site da Casa do Mamão: 

“Ela tem uma base fininha de biscoito, uma camada de amor eterno em forma de ganache, brigadeiro secreto de macadâmias colhidas à mão, mousse cremeiro (cremoso e caseiro) de chocolate e cobertura de raspas extrassaborosas de chocolate e macadâmia.”

Parece marketing? Pode até ser, mas a torta se garante – sua real publicidade aconteceu no velho e bom boca-a-boca e ultrapassou os 402 km da Dutra. Segundo Sabrina Allers, que hoje administra o estabelecimento juntamente com o irmão Klaus, não é raro que pessoas de outros estados parem ali simplesmente porque ouviram falar sobre a torta. 

A Casa do Mamão faz parte do Posto Mamão, que por sua vez já foi Posto Nacional, instalado nos dois lados da Dutra. Hoje, o posto no sentido RJ/SP, é a Casa do Bubi. Mamão e Bubi são irmãos gêmeos – Mamão se chama Martin Heinrich e Bubi, Karl Richard. São filhos do fundador do Posto Nacional, Klaus Anton Allers, alemão que chegou ao Brasil em 1931 e se instalou em Piraí. 

O Posto Nacional foi inaugurado em 1962. Até 20 anos atrás, a divisão “lado do Bubi” e “lado do Mamão” era um jeito informal de as pessoas se situarem. Sabrina e Klaus são filhos do Mamão e entraram na administração nos anos 1990. Desde então muita coisa tem mudado, principalmente no que diz respeito ao reforço da marca “Mamão”. A torta de macadâmia faz parte desse reposicionamento. 

“A torta foi um insight do meu irmão e se tornou um hit”, conta Sabrina.

Um grande impulso para esse sucesso veio quando a torta venceu o concurso gastronômico do 6º. Piraí Fest – Festival de Cultura e Gastronomia de Piraí. O festival, que acontece desde 2001, tem por objetivo fomentar a criatividade dos concorrentes na criação de pratos à base de tilápia e/ou macadâmia – dois produtos de destaque da cidade. Foi de Klaus também a ideia de divulgar Piraí como “a terra da macadâmia”, como alardeia a placa na entrada da Casa do Mamão. Sim, porque se a beleza da torta está no corpo, a sua essência está na alma: a macadâmia. 

Considerada a mais nobre das nozes, a macadâmia chegou em Piraí em 1984 e logo se adaptou ao novo habitat. Por sinal, a macadâmia é uma espécie que não se aperta em solo estrangeiro. Sua origem é australiana, mas o local que lhe deu projeção internacional foi o Havaí – a ponto de ela ser conhecida em alguns lugares como “noz havaiana”. Do Havaí, onde chegou em 1929, ela se espalhou pelo mundo. Hoje os maiores produtores são Austrália, EUA (no Havaí), África do Sul, Quênia, Costa Rica, Guatemala, Brasil, Malaui e Zimbábue. 

A maior produtora 

A maior produtora de macadâmia do Brasil é a Fazenda Santa Marta, em Piraí. “A Macadâmia foi introduzida no Brasil pelo Instituto Agronômico de Campinas, mas o primeiro pomar comercial foi aqui na Santa Marta”, explica Luís Tavares, sócio da Tribeca, empresa dona da Fazenda Santa Marta e responsável pela comercialização de mudas, plantio e exportação da macadâmia. De acordo com Tavares, dos 800 hectares de fazenda, 200 estão ocupados pelo plantio da macadâmia – cerca de 42 mil árvores. A produção anual fica por volta de 600 toneladas. 

“A macadâmia hoje é um ícone em Piraí, como é no Havaí. Quem vem à Piraí associa a cidade imediatamente à macadâmia e tem curiosidade em conhecê-la”, avalia Tavares.

Identidade imediata

De fato, os moradores da cidade assumiram essa identificação. Além do incentivo dado pelo Piraí Fest, os moradores adotaram a macadâmia em receitas de biscoitos e doces e em pratos requintados, como os servidos no Casa do Manequinho Hotel & Restaurante. 

Ali encontram-se opções como o Filé Mignon ao molho madeira com macadâmias douradas na manteiga; a feijoada de tilápia com farofa de macadâmia e Tilápia Tropicália, com arroz de macadâmia com ervas. Ah, sim: o drinque de boas-vindas é a batidinha de macadâmia. 

E depois de conquistar os corações do piraienses, a macadâmia conquistou também os copos. Em 2015, os cervejeiros Isaac Carvalho e Felippe Souza fundaram a Arte Beer, uma cervejaria artesanal que tem como estrela uma Belgian Pale Ale com macadâmia. Por enquanto a cerveja é encontrada na lojinha da Casa do Mamão, mas, segundo Carvalho, em breve estará nos bares e supermercados cariocas. Enquanto isso não acontece, fica a dica: na sua próxima viagem pela Dutra, dê uma paradinha em Piraí.